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Mercado interno de orgânicos cresce 35% e alcança pelo menos R$ 1,5 bilhão

11/06/2014
organicos biofach america latina

Biofach América Latina, na semana passada, mostrou crescimento do setor de orgânicos. FOTO: SITE BIOFACH

O mercado interno de produtos orgânicos cresceu 35% de 2012 para 2013, representando um volume comercializado de R$ 1,5 bilhão no Brasil. Embora ainda se trate de um faturamento tímido, quando comparado ao principal ator deste mercado mundial – Estados Unidos (com faturamento de US$ 35 bilhões, ou cerca de R$ 70 bilhões), a expressiva taxa de crescimento, em termos porcentuais, anima o coordenador executivo do IPD e gestor do projeto Organics Brasil, Ming Liu, que esteve presente na semana passada, entre 4 e 7 de junho, na BioBrazil Fair/Biofach América Latina – eventos conjuntos voltados aos segmentos de produtos orgânicos, naturais e sustentáveis, em São Paulo (SP).

A regulamentação do mercado brasileiro, a partir da Lei dos Orgânicos, sancionada em 2011, fez com que este mercado crescesse a taxas exponenciais ano a ano. Ainda há muito a ser explorado quando o assunto é orgânicos no Brasil”, diz Ming Liu, em entrevista exclusiva a este blog.

Nos EUA e aqui. Ele tem a certeza de que o que ocorreu nos Estados Unidos, a partir de 1999 – quando se criou legislação federal específica para o segmento de produtos orgânicos –, vai ocorrer em terras brasileiras. “Em 1999, o mercado de orgânicos norte-americano envolvia a cifra de US$ 1 bilhão. E, hoje, 14 anos depois, é de US$ 35 bilhões.”

Num setor repleto de estatísticas parciais e fragmentadas, no qual o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) ainda não consolidou o número total de produtores orgânicos do Brasil, produção total e área plantada (ao contrário do agronegócio convencional, pródigo em números e estatísticas, inclusive segmentadas por tipos de cultivo), Ming Liu diz que o Organics Brasil contou com vários indicadores para chegar ao crescimento de 35% por ano.

Mercado de R$ 2 bilhões. “Falamos principalmente com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que faz uma pesquisa anual com a rede varejista e já tem números separados para o segmento orgânico”, diz o executivo. “Este número, porém, está aquém da realidade, pois trata apenas da rede varejista.” Ele lembra, por exemplo, das várias feiras de produtores orgânicos espalhadas pelo País e das inúmeras lojas de produtos naturais e funcionais que vendem um ou outro artigo orgânico e que não entraram nesta conta. Além disso, somente em uma grande rede varejista, Ming Liu comenta que houve crescimento de 45% nas vendas de orgânicos de 2012 para 2013. “Ou seja, acreditamos que só o mercado interno de orgânicos no Brasil já alcance R$ 2 bilhões.”

No mundo, o faturamento global com orgânicos chegou a US$ 64 bilhões em 2013, crescimento de 8% em relação ao ano anterior, conforme revelou o presidente da Federação Internacional de Agricultura Orgânica (Ifoam), André Leu, no 10º Fórum Internacional de Agricultura Orgânica e Sustentável, realizado durante a BiobrazilFair/Biofach América Latina. Depois dos Estados Unidos, com US$ 35 bilhões, os maiores mercados são Alemanha, com US$ 7 bilhões, e Canadá, com US$ 4,4 bilhões, segundo a Ifoam.

Exportações. No segmento de exportações brasileiras de orgânicos, o desempenho também tem sido crescente. “Temos, comprovadamente, um número de exportações de US$ 130 milhões em 2013, ante US$ 110 milhões em 2012”, diz Ming Liu, referindo-se às exportações das mais de 70 empresas produtoras e processadoras de orgânicos abrigadas dentro do Organics Brasil, projeto do IPD, de Curitiba (PR), do qual Ming Liu é coordenador executivo, em parceria com a Agência de Promoções de Exportações (Apex), ligada ao Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC), para prospectar mercados e estimular as exportações de produtos orgânicos processados.

“Este número (US$ 130 milhões), porém, também está aquém da realidade, já que nem todas as empresas que exportam orgânicos participam do Organics Brasil”, diz Ming Liu. E, para saber o número exato, também se esbarra na falta de estatísticas confiáveis. “Há muitas empresas brasileiras que estão exportando orgânicos e não nos comunicam”, diz o gestor. “Estamos tentando buscar esses dados via MDIC, mas por aí também é difícil, pois nas planilhas não há nenhum código que discrimine se o produto é orgânico ou não”, diz Ming Liu, acrescentando que, somente na descrição no produto, na guia de exportação, é que se diz tratar de um artigo orgânico certificado. “Entretanto, seria uma tarefa inviável verificar a descrição de guia por guia para obter essas estatísticas.”

Conversa com o agronegócio. Para tentar reverter este quadro e sensibilizar tanto o governo quanto a iniciativa privada sobre o grande potencial do crescimento do segmento de orgânicos – o que contribuiria para o aprimoramento das estatísticas –, o projeto Organics Brasil tem apostado na transversalidade, ou seja, no relacionamento com segmentos afins, mesmo que não sejam ligados à produção orgânica. “Dentro da Apex, temos participado de reuniões com todos os segmentos do agronegócio, como os exportadores de carnes (bovina, de frango e suína), de cosméticos, de balas e confeitos, de café, de frutas e de vinhos, entre outros. “São cadeias poderosas, e estamos sempre nas reuniões, ‘fazendo barulho’, e já começamos a ser notados.”

Para Ming Liu, a partir do momento em que o segmento puder mostrar números confiáveis – já que o primeiro grande obstáculo, que era a regulamentação do setor, já foi vencido –, o próprio agronegócio convencional vai olhar de outra forma para os orgânicos, como um excelente mercado para se investir.

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