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Mato não é erva daninha. É, no mínimo, herbicida e adubo natural

01/07/2013

olha a altura do capim no pomar

Estou fazendo um pomar no meu sítio, no sul de Minas Gerais. Seguindo as instruções do produtor rural agroecológico no Sítio Duas Cachoeiras Guaraci Diniz, que dá assistência técnica a sítios convertidos ou em conversão para a agricultura orgânica, além de manejo conservacionista de áreas rurais, aproveitei o mato que cresceu em volta das mudas para uma tripla função: garantir a umidade do solo no entorno das plantas na época seca (se bem que tem chovido muito por ali, neste mês em que o inverno começou, o que não é típico); evitar que mais mato cresça em volta das mudas, competindo pelos mesmos nutrientes do solo – ou seja, consegui um herbicida natural -, e também para garantir, com a decomposição gradual desse mato, mais uma fonte de nutrientes para as plantas. Ao se decomporem, esses nutrientes são devolvidos para o solo, aumentando sua microbiologia e, consequentemente, sua fertilidade.

Mas como fazer tudo isso na prática? Bem, como plantei o pomar na época das chuvas, preservei todo o mato que vicejava por ali, só abrindo espaço mesmo para as mudas. Abri, conforme me recomendou Guaraci, um círculo de pouco mais de meio metro de diâmetro em cada local onde colocaria as mudas. No que eu carpi para abrir este círculo, aliás, aproveitei para acumular todo o mato retirado para fazer esse círculo na borda mais baixa do mesmo círculo, já que o terreno do pomar é inclinado. Acumulando este mato na parte mais baixa do círculo, formo uma barreira natural para a água que desce o morro. Esta água se acumula ao pé da planta, garantindo mais umidade às raízes.

Assim, com a passagem dos meses e a mudança das estações, todo aquele mato que eu não tirei do pomar (com exceção daquele em volta das mudas) cresceu. Alcançou mais de 1 metro, como o leitor pode ver na foto. Quando começou a dar sementes, foi roçado. Só que não ficou simplesmente jogado no pomar. Reuni todo este mato em volta das mudas, formando uma fofa massa verde e circular, de mais ou menos 1 metro de diâmetro, em volta de cada muda.

Para que serve tudo isso, afinal? Bem, em primeiro lugar, eu só rocei o mato. Não acabei com ele. Assim, o mato roçado vai rebrotar e o solo do pomar continuar com uma cobertura vegetal em sua totalidade, garantindo a proteção, por exemplo, contra erosão (ainda mais em um terreno inclinado). Já todo aquele mato cortado que foi parar em volta das mudas – com o cuidado, porém, de deixá-lo um pouco afastado do caule da muda – vai servir de:

1. Sistema natural de irrigação. Porque, com o solo coberto por essa massa do capim roçado, a evaporação é bem mais lenta. Ou seja, há maior acúmulo de umidade ao pé da muda;

2. Herbicida natural: você já viu planta crescer sem luz? Quase nenhuma consegue. Pois aquele capim roçado em volta da muda também não permite que a luz penetre no solo, inibindo a brotação de capins e a germinação das sementes de plantas que podem competir com suas mudinhas do pomar;

3. Adubo orgânico, natural e barato: quando essa massa se decompor, vai virar um adubo verde, já que estará devolvendo ao solo os nutrientes de que necessitou para crescer, fechando o ciclo. Ou seja, mesmo roçado, o capim é aproveitado.

Muitos leitores do meu blog são urbanos. Esta prática pode ser reproduzida também nas praças e até nas hortas urbanas, que têm se multiplicado por São Paulo. Manter o solo sempre coberto por restos vegetais (como grama cortada e folhas secas que caem das árvores) é uma das regras básicas de toda a agricultura tropical. Seja ela urbana ou rural.

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3 Comentários
  1. Belo artigo iremos compartilhar em nossa página!

  2. Eladyr B Raykil permalink

    informações muito úteis!! grata por compartilhar sua experiência…bj…by…Eladyr

  3. Parabens pela iniciativa e condução do pomar. Podes adotar a adubação verde no pomar é sensacional.ok

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