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Esta deputada federal é a coordenadora da inédita Frente Parlamentar de Agroecologia no Congresso Nacional

05/12/2012

luci-choinacki-blog

Se a cidade onde as pessoas nascem imprime nelas algum traço de personalidade específica, não foi o caso da deputada federal Luci Choinacki, do PT de Santa Catarina. Ela nasceu em Descanso, município do extremo-oeste catarinense. De família de agricultores, como acontece com praticamente 90% dos habitantes daquela região, descanso é palavra quase riscada do dicionário desta deputada federal já no seu quarto mandato.

De membro de várias comissões permanentes na Câmara dos Deputados, como as Comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Seguridade Social e Família; de Turismo e Desporto; de Reforma Política e de Igualdade de Direitos Trabalhistas, só para citar algumas, além de alguns livros publicados, e, é claro, da vida de uma parlamentar atuante (recebeu, por duas vezes, em seu Estado natal, o diploma “Melhor Desempenho Parlamentar”), a deputada Luci Choinacki resolveu recentemente se candidatar a nova e empolgante função – nota-se no brilho dos olhos, quando ela aborda o tema. Ela é a coordenadora da Frente Parlamentar pelo Desenvolvimento da Agroecologia e Produção Orgânica, lançada em agosto na Câmara dos Deputados, em Brasília, DF.

De uma agricultora que viveu, quando menina, a chegada do pacote tecnológico da Revolução Verde às lavouras do oeste catarinense e, ainda bem nova, recusava-se a aplicar veneno nas plantas para “defendê-las” das pragas – “Nunca apliquei nem uma gota de agrotóxico nas plantações, sempre me recusei”, conta, orgulhosa, demonstrando um feeling precoce de que boa coisa aquilo não era –, Luci Choinacki propõe-se agora a continuar o trabalho em prol de uma agricultura limpa em outro campo, o legislativo.

E orgulha-se de, no dia do lançamento da Frente de Agroecologia, 8 de agosto, em Brasília, o alto escalão do governo federal ter comparecido. “Estiveram presentes a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, além do ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas”, destaca Luci, acrescentando que “não é de praxe ministros comparecerem ao lançamento de frentes parlamentares no Congresso”, diz a veterana deputada, que comunica que a frente tem o apoio também do ministro Gilberto Carvalho, titular da Secretaria-Geral da Presidência, e do Ministério da Saúde. “Sinal de que o governo federal está sensibilizado com a importância de mudarmos o perfil da nossa agricultura, em prol da saúde da população”, continua Luci.

A Frente de Agroecologia já tem a adesão, pelas contas da coordenadora-deputada, de mais de 200 parlamentares, de todos os partidos, incluindo também senadores. “A frente tem o propósito de ser um ponto de apoio para políticas públicas em favor de uma agricultura limpa”, explica ela, acrescentando que é necessário reverter este pensamento dominante, de que só o agronegócio empresarial, com a agricultura convencional e seu pacote transgênicos-agrotóxicos-adubos químicos, pode alimentar o planeta. “Vamos reunir pessoas, aglutinar ideias e principalmente experiências para mostrar que é viável a instituição da agroecologia como forma de produção”, esclarece. Para quem quiser colaborar, o e-mail da deputada é dep.lucichoinacki@camara.leg.br.

“Outro dia conversava com um produtor rural e ele me resumiu a situação da seguinte maneira: ‘Ser agricultor convencional é fácil, porque você vai lá, compra praticamente uma receita de como produzir. Já vem tudo pronto no pacote. É só colocar em prática. Já com a agricultura orgânica, é mais difícil, porque o produtor é obrigado a pensar, a observar o solo, as plantas, o clima, tirar deduções a partir daí, experimentar mais, errar mais. É um processo de longo prazo. Por isso muitos desistem’”, conta a deputada. “Mas para a gente nada é impossível”, acredita ela, que comunica também que não pretende “bater de frente” com o agronegócio, que tem forte lobby no Congresso Nacional, por intermédio da Frente Parlamentar do Agronegócio, presidida pela senadora Kátia Abreu (PSD-TO), presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). “Nossa política não é brigar com ninguém, e sim entrar com o argumento da saúde, que não há como não concordar. Todo mundo, seja ruralista ou ambientalista, quer mais saúde.”

Como medida prática para a frente recém-lançada, Luci Choinacki comunica que no fim de março deve ocorrer um grande seminário sobre agroecologia no Congresso Nacional, promovido pela frente. “É uma maneira de dar visibilidade ao assunto no Parlamento e já demarcar território”, esclarece. “Além disso, fazer a confirmação de que existe uma outra forma de produção, que cuida da saúde de quem planta e de quem consome”, diz. “Afinal, saúde não se compra na farmácia”, finaliza. Nem descanso.

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