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Da garapa orgânica à agricultura sustentável, em plena metrópole paulistana

04/06/2012

Garapa do Zé Mineiro, no Parque da Água Branca. 100% orgânica

Basta chegar na feira, pagar alguns reais e aguardar a moagem da cana para saborear a bebida tão popular em todo o País: caldo de cana ou garapa. Seria uma situação comum, que ocorre todos os dias em qualquer feira livre do País, não fosse o fato de a feira em questão ser a de alimentos orgânicos do Parque da Água Branca e, a garapa, também orgânica.

Esta é uma das novidades da “Feirinha da Água Branca”, como é mais conhecida. De algumas semanas para cá, Associação de Agricultura Orgânica (AAO-SP), responsável pela feira, introduziu algumas novidades por ali. Além da garapa orgânica, agora tem sorvete orgânico e também uma banca coletiva, onde produtores se unem para comercializar em conjunto vários produtos orgânicos certificados, a maior parte processada.

Mas voltemos à garapa. Por trás de cada copo servido pelo próprio agricultor, José Geraldo Batista, o Zé Mineiro, está uma importante história, que promete mudar a agricultura dentro do próprio município de São Paulo. Você não sabia? Os paulistanos estão cercados de agricultores. São 402 produtores cadastrados, atuando dentro das fronteiras da capital paulista. E mais: a área agricultável da capital representa 15% da superfície do município e há produção de hortaliças, plantas ornamentas, grãos e… cana-de-açúcar. Orgânica, no caso da lavoura de Zé Mineiro. A maior parte desses agricultores está na zona sul, mas eles também são encontrados nas zonas norte e leste.

Os da zona sul, onde está Zé Mineiro, mantêm lavouras em plena área de mananciais, coladas às Represas Billings e Guarapiranga, responsáveis pelo abastecimento de parte dos 19 milhões de habitantes da Grande São Paulo. E terão de, assim como os agricultores das zonas leste e norte, cada vez mais cultivar suas lavouras seguindo os preceitos da agroecologia. Para isso, vários assinaram o Protocolo de Boas Práticas Agroambientais, proposto em 2010 pelos governos estadual e municipal, e têm até 2014 para se adequar, convertendo suas lavouras.

Zé Mineiro, que arrenda uma área no entorno da Represa Billings, está feliz com a assistência da Casa da Agricultura Agroecológica, instalada em Parelheiros, que o tem ajudado a se enfronhar no cultivo orgânico e agora pôde obter a certificação para sua garapa. Inicialmente pensava em produzir, com a cana plantada na área, cachaça orgânica. Os planos mudaram um pouco, porém, e agora Zé Mineiro está feliz em poder oferecer, todas os sábados e domingos, sua garapa orgânica aos frequentadores da feira da Água Branca. Em apenas um sábado, contabilizava 80 copos vendidos. Há até pouco tempo, Zé Mineiro vivia de vender “buchinha”, uma planta ornamental que atravessadores compravam por uma miséria. “Levava dois anos para colher e eles me pagavam só R$ 2 por planta. Era muito pouco”, disse.

Agora, na feirinha da Água Branca, essa história de atravessador acabou e, finalmente, Zé Mineiro conseguiu vender direto para o público, conversar com quem bebe o caldo da cana colhida em sua lavoura, ter um feed back. Longa vida para este tipo de relação direta, com direito a brinde com garapa!

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